Este post foi inspirado neste aqui.
Tu é um cara inteligente e tal, mas de política tu não entende. Misturas política com filosofia e dogmas inventados por ti mesmo, pra conseguir ter uma postura que condiza com tua personalidade fatalista. Renega coisas que estão na cara, pra não ter que mudar de opinião, afinal, é tão mais fácil continuar pensando estreito! Mas adiante, vou provar o que estou dizendo.
"Eu quero gastar meu dinheiro, não quero sustentar ninguém. Chega da dar sem cobrar. Pega a grana da esmola e investe na educação, porra!"
Essa é a ideologia pequeno-burguesa típica; vamos fazer uma pequena análise aqui. Nosso amiguinho conseguiu sintetizar, em apenas três frases, a ideologia do indivíduo de classe-média típico. Lhe dou os parabéns pela síntese, embora não pela ideologia.
"Eu quero gastar meu dinheiro, não quero sustentar ninguém."
Sou um cidadão honrado, tenho dinheiro para gastar, então, vou consumir. Que me importa que estes miseráveis mendigos não tenham para si? Quem mandou serem mendigos? Ora, todos temos as mesmas oportunidades, afinal, é uma sociedade justa.
"Chega de dar sem cobrar."
Ahh, o lucro... O pequeno-burguês tem sonhos nos quais ele se torna rico o suficiente para não ter mais que trabalhar... Compra uma fábrica, quem sabe, e vive na praia, deixando um gerente no comando de sua empresa... Por que ele daria o dinheiro dele? O dinheiro que é a esperança de um futuro burguês? Ele não é louco, oras bolas! Sabe que o lucro é o motor da sociedade (ainda que este motor esteja engasgado) e quer tirar seu pedaço do bolo.
"Pega a grana da esmola e investe na educação, porra!"
O nacional-desenvolvimentismo! A política da social-democracia! Investindo na educação, a vida de todos irá melhorar. Não importa que quem continue no controle da sociedade sejam os patrões, a burguesia, afinal, o povo precisa se educar. Ah, falando em se educar, não importa também que a escola não seja para ensinar a pensar, mas sim para ensinar a obedecer. O importante é que se qualifique a mão-de-obra para melhor produzir. E não importa ainda que a maior parte dessa mão-de-obra seja jogada na miséria, uma vez que não haverá empregos pra todos.
"E, no final das contas, eu sou o burguês, eu sou o diabo em pessoa, claro que sou! Afinal, ganho uma fortuna calculada em menos de 800 reais para ter de trabalhar apenas todos os dias, incluindo finais de semana e feriados. Felizmente, os companheiros não me abandonam. Não fazem nada, só reclamam dos abomináveis patrões. Enquanto outros penam, os revolucionários fazem cruzada. Vida difícil dos nossos amigos."
Sim, Rodrigo, tu é um burguês. Tua cabeça funciona como a cabeça de um burguês. E é isso que importa, não que tu trabalhe por 800 reais por mês (e te consideres sortudo por isso, minha mãe trabalha por menos de 400 reais por mês). Por isso tu não entende o socialismo, não é adequado ao teu modo de vida. Ele te exclui do centro das atenções, tu, garoto de classe média, e isso é inadmissível. E os revolucionários têm que aguentar ouvir este mesmo discurso de outros indivíduos de classe média que não conseguem admitir que alguma outra pessoa ou grupo seja o centro das atenções senão eles.
E isso é penar; isso é ver que a luta ainda está muito longe da vitória, quando os elementos mais avançados dos trabalhadores ainda estão presos a uma ideologia incompatível com sua realidade social. Enquanto uns apresentam uma alternativa, estes traidores preferem beijar a sola da bota que os esmaga. Enquanto uns procuram emprego, os que têm reclamam dele, mas reclamam de uma forma INFANTIL, inconseqüente, como uma criança chorando, esperando parada por alguém que lhe console. E esse alguém, obviamente, não pode ser aquele que lhe explica pacientemente o que se deve fazer para acabar com a exploração, a miséria, o medo e tantas outras coisas... Não, a criança é masoquista, prefere que venha o patrão e lhe dê um tapa na cara, dizendo-lhe "VOLTE AO TRABALHO AGORA". Gosta de apanhar, fecha os olhos pra não ver que o papai não ama ela.
No texto se fala de Cazuza, o mesmo Cazuza de quem não gosto, mas que tem uma frase muito boa, do disco "Burguesia": "enquanto houver burguesia, não vai haver poesia". E isto está extremamente correto. Enquanto houver a dominação de uma classe sobre outra, haverá uma campanha ideológica de uma classe sobre outra. No caso, a burguesia imporá sua poesia (uma poesia classista, que defende os interesses e ideologias deles) a todos os outros, e mais! venderá essa poesia como um produto, classificando-a segundo critérios inventados por si. A arte só será arte realmente quando se acabarem as classes sociais. Aí se verá uma arte humana, que fale de todos, e não uma arte incompleta, mutilada por dogmas e ideologias.
"Por isso tudo, só queremos um amor calmo, uma família e a sensação de estarmos de volta ao útero."
Covarde! Encara a realidade de frente, chapa, não tenta te esconder. Mesmo que tu te esconda, um dia ela cai na tua cabeça e aí não tem família que ajude, homem. Ela cai na cabeça e aí tu entra em depressão, claro, porque não consegue pensar numa alternativa, ah, mas tem aquela idéia do velho alemão barbudo, ah, mas aquilo é muito radical, não cabe mais na nossa época, o velho morreu já, a idéia tá morta também, e ah, mamãe, não apaga a luz que eu tenho medo, eu tenho medo de perder o emprego, tenho medo de ficar impotente, tenho medo de não conseguir levantar um dia, tenho medo dessa violência toda, tenho medo, medo, medo...
"Eu quero gastar meu dinheiro, não quero sustentar ninguém. Chega da dar sem cobrar. Pega a grana da esmola e investe na educação, porra!"
Essa é a ideologia pequeno-burguesa típica; vamos fazer uma pequena análise aqui. Nosso amiguinho conseguiu sintetizar, em apenas três frases, a ideologia do indivíduo de classe-média típico. Lhe dou os parabéns pela síntese, embora não pela ideologia.
"Eu quero gastar meu dinheiro, não quero sustentar ninguém."
Sou um cidadão honrado, tenho dinheiro para gastar, então, vou consumir. Que me importa que estes miseráveis mendigos não tenham para si? Quem mandou serem mendigos? Ora, todos temos as mesmas oportunidades, afinal, é uma sociedade justa.
"Chega de dar sem cobrar."
Ahh, o lucro... O pequeno-burguês tem sonhos nos quais ele se torna rico o suficiente para não ter mais que trabalhar... Compra uma fábrica, quem sabe, e vive na praia, deixando um gerente no comando de sua empresa... Por que ele daria o dinheiro dele? O dinheiro que é a esperança de um futuro burguês? Ele não é louco, oras bolas! Sabe que o lucro é o motor da sociedade (ainda que este motor esteja engasgado) e quer tirar seu pedaço do bolo.
"Pega a grana da esmola e investe na educação, porra!"
O nacional-desenvolvimentismo! A política da social-democracia! Investindo na educação, a vida de todos irá melhorar. Não importa que quem continue no controle da sociedade sejam os patrões, a burguesia, afinal, o povo precisa se educar. Ah, falando em se educar, não importa também que a escola não seja para ensinar a pensar, mas sim para ensinar a obedecer. O importante é que se qualifique a mão-de-obra para melhor produzir. E não importa ainda que a maior parte dessa mão-de-obra seja jogada na miséria, uma vez que não haverá empregos pra todos.
"E, no final das contas, eu sou o burguês, eu sou o diabo em pessoa, claro que sou! Afinal, ganho uma fortuna calculada em menos de 800 reais para ter de trabalhar apenas todos os dias, incluindo finais de semana e feriados. Felizmente, os companheiros não me abandonam. Não fazem nada, só reclamam dos abomináveis patrões. Enquanto outros penam, os revolucionários fazem cruzada. Vida difícil dos nossos amigos."
Sim, Rodrigo, tu é um burguês. Tua cabeça funciona como a cabeça de um burguês. E é isso que importa, não que tu trabalhe por 800 reais por mês (e te consideres sortudo por isso, minha mãe trabalha por menos de 400 reais por mês). Por isso tu não entende o socialismo, não é adequado ao teu modo de vida. Ele te exclui do centro das atenções, tu, garoto de classe média, e isso é inadmissível. E os revolucionários têm que aguentar ouvir este mesmo discurso de outros indivíduos de classe média que não conseguem admitir que alguma outra pessoa ou grupo seja o centro das atenções senão eles.
E isso é penar; isso é ver que a luta ainda está muito longe da vitória, quando os elementos mais avançados dos trabalhadores ainda estão presos a uma ideologia incompatível com sua realidade social. Enquanto uns apresentam uma alternativa, estes traidores preferem beijar a sola da bota que os esmaga. Enquanto uns procuram emprego, os que têm reclamam dele, mas reclamam de uma forma INFANTIL, inconseqüente, como uma criança chorando, esperando parada por alguém que lhe console. E esse alguém, obviamente, não pode ser aquele que lhe explica pacientemente o que se deve fazer para acabar com a exploração, a miséria, o medo e tantas outras coisas... Não, a criança é masoquista, prefere que venha o patrão e lhe dê um tapa na cara, dizendo-lhe "VOLTE AO TRABALHO AGORA". Gosta de apanhar, fecha os olhos pra não ver que o papai não ama ela.
No texto se fala de Cazuza, o mesmo Cazuza de quem não gosto, mas que tem uma frase muito boa, do disco "Burguesia": "enquanto houver burguesia, não vai haver poesia". E isto está extremamente correto. Enquanto houver a dominação de uma classe sobre outra, haverá uma campanha ideológica de uma classe sobre outra. No caso, a burguesia imporá sua poesia (uma poesia classista, que defende os interesses e ideologias deles) a todos os outros, e mais! venderá essa poesia como um produto, classificando-a segundo critérios inventados por si. A arte só será arte realmente quando se acabarem as classes sociais. Aí se verá uma arte humana, que fale de todos, e não uma arte incompleta, mutilada por dogmas e ideologias.
"Por isso tudo, só queremos um amor calmo, uma família e a sensação de estarmos de volta ao útero."
Covarde! Encara a realidade de frente, chapa, não tenta te esconder. Mesmo que tu te esconda, um dia ela cai na tua cabeça e aí não tem família que ajude, homem. Ela cai na cabeça e aí tu entra em depressão, claro, porque não consegue pensar numa alternativa, ah, mas tem aquela idéia do velho alemão barbudo, ah, mas aquilo é muito radical, não cabe mais na nossa época, o velho morreu já, a idéia tá morta também, e ah, mamãe, não apaga a luz que eu tenho medo, eu tenho medo de perder o emprego, tenho medo de ficar impotente, tenho medo de não conseguir levantar um dia, tenho medo dessa violência toda, tenho medo, medo, medo...
4 comentários:
muito foda cara, muito bom mesmo..!
só lembra que socialismo também foi auto-gestão na origem das escola de samba, do futebol de várzea...
no "brazil", acho que nóis caipira não precisa muito saber quem foi um alemão que engravidava a empregada de seu mecenas, e batia na própria mulher por que a classe trabalhadora fazia isso.. ;)
arriba los que luchan!!
Que bom que o sistema não conseguiu extinguir todos os idealistas, os utópicos, os visionários.
Não lembro quando foi que eu desisti de mim e desse mundo. :~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Saca que eu tinha escrito uma resposta a esses dois comentários, mas o servidor maldito me enganou. Ah, se fuder, viu...
Quero royalties!
A roda segue girando...
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