Molhado pela chuva tão conhecida, perdido em meio a visões e devaneios e citações que brilhavam como facas em sua mente, longas citações de livros sem fim que agora voltavam à tona. Expulso de onde se sentia confortável, talvez não seja bem essa a palavra, mas o mais confortável que já se sentira alguma vez. Vagando pelas ruas à procura de um bar onde afogar suas lágrimas, com um cigarro e uma dose de algo forte – não importa exatamente o que, desde que fosse forte.
Falhara na tarefa que se tinha imposto, era fraco e agora isso era inegável, não podia mais esconder seu fracasso através de palavras, era a realidade que caía em sua cabeça, e nada podia mudar isto.
Covarde, agora se escondia atrás de uma das máscaras que antes jaziam abandonadas, e que hoje pareciam mais belas que nunca. Escolhera a mais comum de todas, uma com a qual pudesse passar despercebido, incógnito mesmo àqueles que o conheciam bem – e incógnito até para si mesmo.
As máscaras renasciam, não sabia ao certo se agora eram duas a cobrir sua verdadeira face, e no fundo não queria saber.