16/02/2009

Uma daquelas

Era uma daquelas.
Daquelas por quem o sujeito se apaixona na segunda frase que ela diz. Daquelas por quem se diz que se mataria o mundo. Daquelas que, quando se vão, deixam um amargo na garganta e os olhos vislumbrando um nada infinito. De quem se guarda cada recordação, e para quem se escreve as memórias. Daquelas que só se espera que voltem um dia, mesmo que seja por um instante e ao longe, num dobrar de esquina.
De quem, quando se fala, tua voz fica mais mansa e mais macia, não importa o estado alcoólico e o número de cigarros fumados nas últimas horas. Daquelas de quem se fica procurando traços em qualquer coisa que tenha tocado, em qualquer lugar por que tenha passado, em qualquer filme ou livro que tenha citado (ou que se ache já ter visto ou lido). Daquelas cuja ausência parece durar séculos, e cuja presença faz o tempo voltar. Daquelas que se imagina como estará agora, passado o tempo.
Daquelas a quem se chama maldita enquanto nos reviramos na cama, incapazes de dormir.
Uma daquelas.