11/03/2009

Da minha última ida ao cabeleireiro

Meu último corte de cabelo foi há uns 3 meses. Tinha tirado uns 4 dedos de comprimento, mais ou menos, ou 3, que seja. O fato é que, novamente, ele estava gigante (e eu tenho o cabelo crespo, mas não crespo naquele estilo encaracolado, mas sim crespo no estilo bombril mesmo – digitei bombril e o Word corrigiu automaticamente pra Bombril, não fez o mesmo com assolan – desconfio de um complô). E eu resolvi aceitar o conselho de 90% das pessoas que conheço e finalmente cortar o cabelo, nessa segunda-feira (nada de bom acontece nas segundas-feiras.
Como já se deve imaginar, não sou daquelas pessoas que se preocupa com aparência (a minha, no caso). Deixo a barba por fazer durante uma semana, e quando vou cortar, tenho que primeiro aparar com tesoura ou com o barbeador elétrico, senão vou ter minha delicada cútis de lagarto irritada e ficarei cheio de perebas. Além disso, costumo deixar o cavanhaque (tem gente que nunca me viu sem), e aparar ele simetricamente não está na minha lista de habilidades. O resultado é que, mesmo tentando manter o controle (ironia), acabo parecendo um hippie perdido no século XXI.
Portanto, quando vou cortar o cabelo vou no lugar que oferece melhor custo-benefício: uma academia de cabeleireiros no centro de Porto Alegre. Pode-se argumentar que entregar sua cabeleira a pessoas mal-treinadas não é algo aconselhável a se fazer (que o diga um amigo meu, que deixou a irmã fazer luzes na parte de trás do cabelo e ficou parecendo uma hiena – oi, Patrola), mas gosto de viver perigosamente, e qualquer coisa é só raspar a cabeça – isso, claro, se não me tirarem um talho e eu tiver que ir correndo pro pronto-socorro, mas lá de qualquer forma vão raspar minha cabeça, então fica elas por elas. Além do que, onde mais eu conseguiria um corte de cabelo, com tesoura, não máquina, por 3 pilas?
Bom, chegando lá todo suado, tendo caminhado num sol escaldante, fui prontamente atendido e levado àquelas coisas que lavam a cabeça (lembrei na hora do Chaves, no episódio em que o Seu Madruga é barbeiro), e sim, não faço a menor idéia de como se chama aquilo, pensei em chamar de pia, mas achei deselegante lavar os cabelos na pia, então fica por isso mesmo. Meus cabelos são limpos, ao menos eles. Não queiram saber de minhas meias.
Depois de algumas gotas de xampu terem sido deliberada e cruelmente admitidas em meus olhos, com o cabelo seco e uma toalha em volta dos ombros (quase um lutador de boxe, inclusive o rosto disforme, mas não tinha aquelas botas maneiras), me encaminhei para a cadeira apontada. Aí começou meu suplício. A moça que iria desbastar minha cabeleira era tão inabilidosa que teve problemas com o manto. Senti vergonha alheia naquele momento. Depois, LOGO DEPOIS, como se não soubesse o que fazer, chamou a instrutora, que disse “tu tem que ver como ele quer o cabelo; quer manter o corte?” – perguntou olhando para mim. “Isso... Se é que tem algum corte definido aqui”.
Olha, a partir daí quase me arrependi de ter ido lá, e preferia ter pago R$ 12 reais, como na vez em que estava trabalhando e fui num salão fresco só pra cortar as pontas (estava deixando crescer). Mas aí lembrei que, surpresa!, não tinha R$ 12, então engoli em seco e continuei sentado.
Começou com a questão da separação do cabelo. Primeiro: eu não consigo ficar sem rir quando me colocam aqueles prendedores na cabeça e eu fico com um tufo de cabelo preso, solto ao vento, parecendo a Pedrita. Eu tentei me segurar, mas não deu. A moça ficou me olhando com uma cara de quem pensa “meu deus, por que justo eu tinha que cortar o cabelo desse doido?”. Várias pessoas se viraram e eu fiquei com um pouco de vergonha, mas só quando a instrutora veio me perguntar se havia algum problema.
Enfim, o mais irritante e cômico de tudo era que, ao invés de perguntar para mim como eu queria o cabelo cortado (ou desmatado, suit yourself), a mulher chamava a instrutora e então esta me perguntava. Além disso, também tinha que corrigir os erros da outra (o que acabou fazendo com que meu cabelo ficasse mais curto do que eu desejava, mas eu não reclamei porque sou um menino bonzinho e achei que ia ganhar um pirulito se ficasse quieto)(OK, isso não fez o menor sentido), e meu deus, acho que por vezes prefiro ficar na ignorância. Eu parecia estrangeiro, a mulher chegava e perguntava “tá bom esse comprimento?” e eu, com um sorriso amarelo (aliás, todos os meus sorrisos são amarelos; meus DENTES são amarelos), “tá”, e aí ela repetia pra outra o que eu acabara de dizer. E foi só isso, só essa palavra que eu repeti nas quinze vezes em que a estudante chamou a instrutora e a instrutora falou comigo. Na real, eu já tava pensando “melhor sair antes que o pior aconteça e a mulher acabe cortando minha orelha”.
Apesar de tudo, não vou deixar de ir lá. Eu me divirto bastante, mas vamos ver se da próxima vez vão me deixar entrar.

PS: esse texto foi uma merda, mas fiz pra pagar promessa.

2 comentários:

bicho peçonhento disse...

Não se preocupe, eu peguei piolho esses tempos, cê acredita? Logo uma menina barbada como eu, piolho depois dos vinte... na cabeça! quem diria...



esse mundo é doente mesmo.



só as moscas são felizes.


PSSS:o André cortou o cabelo!

Edison Rodrigues disse...

até q enfim! hehehe