11 de mar. de 2007

Aspanú

Quem são seus amigos ? Seriam eles verdadeiros ? Confiáveis ? Parceiros para todas as horas ? Sem dúvida esta é uma das coisas mais difíceis de se determinar num mundo tão individualista como o nosso. As decepções são muitas. Por outro lado, as vezes, pessoas com as quais não nutrimos grande relacionamento nos surpreendem com atitudes da mais pura camaradagem.
Há quem diga que as personalidades são moldadas por suas circunstâncias. E isto é verdade. Quem nunca notou que seu amigo ou amiga mudou radicalmente com um namoro ou uma outra amizade, uma mudança de colégio, a entrada na faculdade, etc. Ai é quando mais dói, a amizade vai se desconsruíndo, perdendo o sentido. Quando encontra o velho amigo depois de um tempo, não há que dizer. Não existe vontade em contar nada. A cena é gélida, despida de intimidade. E, afinal, o que aconteceu ? Esta é uma pergunta sem resposta. A falta de tempo, de contato, acabou com a fraternidade.
Nos restou o vácuo. Mas, é assim mesmo poucos ficam contigo nas boas e nas ruins. Alguns supervalorizam certos relacionamentos, que na verdade eram superficiais. Amizade de ocasião, por puro interesse. Porém, sempre tem aqueles poucos, que podem não encher uma mão. Mas, ficam pra sempre, te carregam, tanto no sentido literal quanto no figurado. Ouvem teus lamentos, comemoram tuas vitórias. Saem cidade a fora bebendo e fervendo. De qualquer maneira, vale a pena aproveitar todos os momentos. Afinal. não sabemos se quem está ao nosso lado agora vai nos virar a cara na semana seguinte. Ainda bem que o samba está sendo diluído na minha mente a essas alturas...

6 de mar. de 2007

A Janta

Enquanto as pessoas na sala de jantar comem tranquilamente, eu vomito idéias. Idéias não muito bem compreendidas. Um dia ainda vou escrever um texto que não receba críticas. Pensando bem, espero que este dia nunca chegue. Por que quando isso ocorrer terei me tornado parte do senso comum, serei igual a todos, defensores do coro dos contentes. Que se critique então meu negativismo, minhas críticas ferozes. Por acaso querem que eu fale de flores ? Bom, mesmo que queiram, não falarei ! Não nasci com essa vocação. Gosto de meter fundo, bem fundo o dedo nas mais diversas feridas. Odeio tapar o sol com a peneira, e seguirei assim.
Percebo que minha verborragia pessimista não é bem aceita. Mas, não irei mudar meu estilo, minhas atitudes, serei como sempre fui. Temos mesmo que expor os erros, de maneira nenhuma devemos mascará - los.
Tenho verdadeiro ódio dos amorfos, eles estão nos destruindo, destroçando nossa sociedade com sua ausência de pensamento. Justo o pensar que é nosso bem mais valioso, vem sendo descaradamente jogado no lixo pelas gerações mais novas. Não bastasse isso, quem foge a este paradigma é atacado. Boa parte desta catástrofe filosófica advém da cultura que propaga o vazio ideológico. Como diria Nenê Altro: " música popular deve anestesiar as mentes em refrões atóxicos". E, infelizmente, não apenas na música esta sentença se mostra verdadeira. Isto ocorre nos mais diversos campos de atuação artística e cultural. A consagração vem para os politicamente corretos, ou pior: Para os que versam sobre o nada. E são muitos que assim agem.
E a quem tanto interessa esta situação posta ? As elites claro ! As mais diversas camadas do poder. Eles não querem que as pessoas possam ir além. Este é um pecado supremo para eles. Pelo menos de minha parte seguirei sendo um pecador. Um legítimo herege.

5 de mar. de 2007

Rótulos

" Tu sabe que o Rodrigo é meio intelectual", hoje de manhã ouvi esta frase, e não é primeira vez que ouço tal sentença. Quem começou a ler o texto deve estar se perguntando, e eu com isso ? Esse idiota por acaso resolveu ficar se autolouvando ? Não, nada disso ! É que eu discordo deste "elogio", estou muito mais próximo de ser um "pseudo - intelectual", como gosta de dizer o Tiago ( pra quem não sabe: Tiago = Anticontrole ). Mas, de qualquer maneira este maldito rótulo me persegue. E, com certeza, não me trouxe nada de bom. Esta pecha só tem me dificultado a vida. Ah, como é difícil para um "meio intelectual" arranjar namoradas, amigos, ficantes, parceiros, etc. Afinal, parece que ando com uma placa em neon em minha testa dizendo: ESTRANHO !
Sem falar que este título imputa uma pressão e uma responsabilidade bem complicadas de se lidar. É uma merda ter que ser perfeito gramaticalmente ou culto o tempo inteiro por que os outros esperam isso de ti.
Tudo isso me leva a pergunta fatal: Por que nos dividimos tanto ? Por que somos tão sectários ? Tudo é separado em castas. Peretencemos a diferentes classes. Todos temos que ser alguma coisa pré - definida, e assim sempre seremos. Pelo menos é isso que eles querem. Vivemos a grudar etiquetas uns aos outros. Com isso, não permitindo que as verdades venham à tona. Realmente somos autofágicos. Afinal, todos assistem a novela das oito, e tudo dá certo na tela da "plim - plim". Pois bem, vamos nos moldando para a sociedade imutável. Enquanto Durkheim comemora debaixo da terra, eu ergo meu copo de chopp e tento me esquecer disso tudo.