28 de mar. de 2007

Os falsários

Eu sou uma farsa, eu vivo uma farsa, eu estudo uma farsa e ainda por cima eu vou manipular essa farsa. A mídia, distorce, torce, retorce, enxuga, engoma, manda prá lavar e bota prá secar. E faz muito mais. Claro que faz ! Nós não fazemos nada. Afinal, deixamos a mídia. Por que, deixamos nosso senso crítico em algum lugar além da imaginação. É tão fácil glorificar os meios de comunicação. Tão simples é apontá - los como culpados pelas distorções e mentiras da nossa sociedade. Não que a imprensa não minta ou maquie a realidade. Muito, mas muito longe disso. Porém, a nossa vilã favorita, só molda quem deixa ser moldado. É preciso acabar com a política do tirar o sofá da sala, botar a poeira debaixo do tapete. A culpa é nossa, só nossa, tão nossa !!!
Quem for ingênuo o suficiente para comprar o peixe global como ele é vendido não pode cobrar nada de ninguém. Jornais, revistas, rádios, televisões, etc... são negócios como qualquer outro. São extratos do pensamento de seus donos, os quais têm diretrizes, pensamentos e linhas de conduta. Eles também têm ideais, times, partidos, filosofias. E, além de tudo, são financiados por empresas que defendem apenas seu próprio lucro. Nada mais justo. Afinal, empresas são criadas para isto mesmo.
Em suma, cabe a nós o dever de informação. Temos o dever de querer a obtenção das verdades que estão encobertas. Basta buscarmos os canais certos. Estes, se encontram entremeados por nossos neurônios. Nenhum satélite vai mudar minha percepção. Não tem antena que modifique minha sinapse. Do caos a lama nós vamos em frente. A parabólica já chegou até no mangue, o pensamento sequer atingiu os campus universitários.
Bom, tem futebol hoje de noite, em horário de boate, por que antes temos de saber como ser felizes. Mesmo que tenhamos que comer merda flambada, ou beber água Dom Urinón com gás. Tudo, como sempre, muito nutritivo.

24 de mar. de 2007

Beatnik

Talvez Tio Jack e Vovô Charlie estejam me fazendo mal, incutindo uma demasiada inconseqüência na minha cabeça. Mas, eu estou determinado a viver como um beat. Apesar de que eles foram extintos há uns 70 anos, quiçá. Ou não, afinal, vivo na cidade mais européia do Brasil. Deve ser por isso que é uma das mais chatas, também. Assim é Porto Alegre. Bom aqui temos a Cidade Baixa. Lá, todos os leitores de Kerouac, Ginsberg, Bukowski, etc, e não - leitores também, experimentam em partes a vida que estes autores um tanto quanto autobiográficos viveram. Infelizmente, não podemos cruzar nosso país de trem, ou de qualquer outra forma, já que no Brasil até atravessar uma rua é perigoso. Tampouco, podemos ir ao México ou a algum outro país vizinho bizarro, por que nossos bolsos estão vazios. Quer dizer, até viajamos. Mas, naquelas excursões enlatadas, típicas da pequeno burguesia que esqueceu seu cérebros em algum lugar antes do Big Brother. Mochila nas costas não existe para eles.
De qualquer maneira uma noite não termina sem muita bebida, sem que alguém tenha fumado. Algum traficante te oferece a cocaína que você nunca vai usar e muitos estranhos seres são vistos, ou você é o estranho que eles olham...
Mas, não para por aí. Podemos fazer muito mais. Quanto mais perigoso e non - sense melhor. Não temos nenhum apego a nossas malditas vidas mesmo. Ninguém se importa, muito menos entende. Então, que se foda !
Eu só queria ser filósofo. Mas, tenho que ganhar dinheiro...

14 de mar. de 2007

Um dia no hospital

Entrei naquele hospital.. algo no ar, cheiro de álcool e desinfetante ligam-me à morte. Não existe lugar mais deprimente que um hospital, ou pelo menos, não existe lugar que consiga me deprimir mais que um hospital.
Por motivos de saúde de um parente, estava preso naquele maldito portão dos males obrigatórios. Estava mal acompanhado, eu digo isso pelo simples fato de perceber as companhias sentadas ao meu lado; a vida é frágil.. Difícil lembrar disso quando se tem 20 anos e se reclama porque alguma fulana de tal o largou por outro cara que tinha um carro, emprego e um cacete de 20 centímetros...
Esqueci um pouco de sentir um desconforto quando eu fiquei realmente.. extremamente.. desconfortável. Uma menina, não mais velha que eu. Cabelos escuros, pele branca e mesmo com o rosto vermelho de choro era impressionantemente bonita. O médico estava ao seu lado de pé; ela sentada ouvia num desespero controlado pela sua exaustão que iria morrer e nada poderia ser feito.. Não digo em 10 anos ou uma filosofia barata de "todo mundo morre um dia", ela ia morrer, e logo. Me esforcei para conter lágrimas alheias, um completo desconhecido, talvez, fragilizado pelo momento.. nunca irei saber.. e eu pensava que eu tinha problemas.. agora penso em egoísmo.