28 de out. de 2006

O Velho

“Escuta o que te digo”, disse ele, “eu só digo uma vez as coisas pois não penso muito bem, em termos de reprise sabe?! Eu realmente odeio, ODEIO coisas que se repetem..e deixe eu falar isso pra ti..vejo que você está cometendo os mesmos erros estúpidos que eu cometi na tua idade. Eu me lembro que eu fazia muita burrice quando minha barba ainda tinha uma coloração escura e conseguia ver através dos fios ralos a minha pele castigada por alguma doença epitelial, que nunca descobri qual seria, pois detestava a idéia de ir num médico. Como detesto agora, mas AGORA, não adianta mais eu ir num médico. O que irá dizer pra mim?! Que tenho pouco tempo? Que tenho que me privar de minhas já tão privadas ocasiões de breves e efêmeros momentos de prazer dito não-saudáveis? Mas a questão aqui mesmo, não é sobre mim..é sobre você! Eu te digo isso..estou velho e você não é tão novo assim, afinal quantos anos você tem? Já tem barba não é? Não pode ser muito novo.Antigamente quando um menino tinha barba ,já poderia morrer como um homem. Muitos nem chegavam a exibir um bigode de RESPEITO, sabe?! E é isso que precisamos ter em nossas vidas. Respeito. Não digo essas merdas pra tu respeitar os outros pra ser respeitado e blá-blá-blá , eu digo isso porque você precisa impor o respeito! Com a força se precisar!!! Porque sem respeito você não é nada. Mas, não é preciso você ter respeitos dos outros, vê?! Não digo pra sair por ai feito um louco cortando cabeças, não é isso garoto! Eu digo..respeito por você, sabe?! Entende?! Porque..eu te digo..uma coisa que eu realmente odeio, ODEIO! São reprises, sabe?! Então eu vejo de novo esse mesmo seriado sem graça e não tenho um controle remoto pra trocar de canal e minha bunda está tão grande, com tantos anos afundada nessa poltrona, acredito que sou um inválido bundão. Mas eu devo dizer..você está cometendo os mesmos erros que eu cometi quando tinha tua idade..quando eu tinha ainda uma coloração escura em meus poucos fios de barba. Sabe?! Eu realmente fazia muita burrice com essa idade..que idade você tem mesmo?! Não deve ser muito novo, afinal você já tem barba...”.Alguns minutos de absoluto silêncio na frente do espelho.

11 de set. de 2006

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"Liberdade artística!", gritei. Todos riram na minha cara...

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15 de jul. de 2006

Rotatividade...

Mundo diversificado pela monstruosidade intelectual dos poucos que sabem ler. Regurgitado em periódicos velhos e tão tolos quanto os anteriores, que nada informavam sobre o absoluto nada. Interessante apenas observá-los, claro que a uma distância segura, como se fosse uma bomba. Tolices também são armas e devem ser tratadas como tais.
Segurava uma pilha de nervos quando me ofereceram um prato de sopa. Recusei por costume. Nunca se deve aceitar o primeiro prato de sopa que lhe oferecem, uma das poucas coisas que aprendi na minha vida. Sem ter o que fazer com os nervos que carregava (e que causavam um certo espanto aqueles que trafegavam pela mesma rua que eu), resolvi escondê-los em um lugar seco e protegido do calor.
Aquela tarde tinha um cheiro de noite chuvosa. “Como saber o cheiro de uma noite chuvosa?”; você me indaga. Eu digo apenas o que meu velho dizia “existem tantas coisas que sei sem saber, que não faz sentido em querer saber o que sei”. Eu na verdade nunca parei para pensar no sentido dessa frase, mas serve para deixá-los confusos e assim eu deixo de ser indagado. Segunda coisa que aprendi na vida, nunca deixe ser questionado, sempre questione antes, desarmando o inimigo você o deixa em uma situação tão baixa quanto a que você se encontra, só que eles não estão acostumados.
Adaptado ao meu novo mundo real (virtualmente falando), corri para pegar um ônibus. Lotado. Deixava minha perna roçar nas coxas da loira que ao meu lado estava, ela me olhava com desprezo e eu retribuía com um sorriso anêmico. Isso a desarmava, talvez pensasse que eu não fazia por gosto. Um ônibus lotado é algo realmente “não natural” diga-se de passagem. Duas paradas antes da minha, a loira sumiu no meio dos “homens sardinha” e talvez seria melhor que ela esperasse para descer no supermercado (todos sabem que no supermercado o ônibus esvazia). Apenas 3 paradas dali. Uma caminhada tranqüila. Se a preocupação da moça era minha perna, ela ganhou outros motivos para se preocupar no meio dos “homens sardinha”. Pobre mulher. Deveria estar com pressa, não sei. Aprendo a não julgar (antes do período apropriado é claro). O ônibus pára. Todos estão descendo, cardumes seguem a queda d’água.
Desço no supermercado e compro nervos.